Hora da Clínica na Prática
Hora da Clínica na Prática é um blog criado para ser lido com calma, para gerar identificação e, sobretudo, para incentivar a busca por ajuda psicológica quando isso fizer sentido.
Rigidez Emocional: o peso invisível de tentar controlar tudo
O e-book DA RIGIDEZ A CONSCIÊNCIA EMOCIONAL surgiu a partir de algo que escuto repetidamente nos atendimentos clínicos com mulheres: relatos sobre comportamentos rígidos, pensamentos inflexíveis, necessidade excessiva de controle e planejamento, além da dificuldade em entrar em contato com emoções como raiva, medo e tristeza.
Nesse contexto, a ansiedade aparece, muitas vezes, como uma forma de lidar com o futuro, quando o verdadeiro desafio está em permanecer no presente.
A armadura emocional
Além disso, observo um sofrimento profundo quando essas mulheres precisam entrar em contato com as próprias falhas, erros, vulnerabilidades e sentimentos de insuficiência.
A rigidez e os padrões aprendidos — muitas vezes repetidos ao longo da vida — passam a funcionar como uma verdadeira armadura emocional, criada na tentativa de se proteger de emoções consideradas desafiadoras, como a raiva, o medo, a culpa e a tristeza.
Esse funcionamento nos aproxima de movimentos ansiosos e nos afasta de conexões profundas, tanto conosco quanto com as pessoas ao nosso redor.
O custo de ignorar as emoções
Aprender a lidar com as emoções é, de fato, desafiador. No entanto, fingir que elas não existem é ignorar uma parte essencial de quem somos — tão importante quanto o sangue que corre em nossas veias.
Vejo muitas mulheres se desdobrando para suprir as necessidades da casa, dos filhos e da família, enquanto deixam de ir ao médico ou de realizar exames de rotina por meses.
Que mensagem estamos afirmando para nós mesmas?
Primeiro eu cuido do outro e, se sobrar, eu cuido de mim.
Primeiro eu amo o outro e depois eu me amo.
Esse é um movimento perigoso e com prazo de validade.
A força que sobrecarrega
Na Análise Transacional, abordagem na qual estudo e me oriento para os atendimentos psicológicos, chamamos de compulsores um conjunto de palavras, entonações, gestos, posturas e expressões faciais que comunicam a crença de que só estaremos “OK” se formos fortes (Cornell et al., 2023).
Ser forte, nesse sentido, é não desistir diante das adversidades, manter um alto senso de dever, permanecer estável quando tudo parece caos e não pedir ajuda com facilidade. Pelo contrário, acredita-se que é possível dar conta de tudo sozinha (Cornell et al., 2023).
Quando essas características comportamentais se manifestam de forma repetida, o resultado costuma ser a sobrecarga e o rompimento dos próprios limites emocionais.
Um convite ao cuidado
Por isso, se você, mulher, leu este texto e se identificou, entre em contato para conversarmos. Afinal, é justo que quem cuida tanto dos outros também seja cuidada com amor.
